Notas preliminares:
1. Seleccionar os espaços em branco para ler a palavra escondida. Apenas aconselhável a pessoas não (muito) impressionáveis.
2. Não peço desculpa por nada.Enquanto pensava noutro tema para este
post, vieram-me à ideia pensamentos menos bons. Uma ou outra expressão vernácula empoleirou-se na ponta da língua. Poderia ter saído asneira. E, então, lembrei-me que há já algum tempo ando para escrever sobre a génese das ordinarices. Coisas badalhocas que se dizem e chocam as pessoas. Ora, pergunto-me, como pode uma palavra revoltar o estômago de alguém? Por que é que se convencionou que um determinado sub-conjunto de palavras são socialmente inaceitáveis? Vejamos um caso de
merda, literalmente.
Merda não tem qualquer valor intrínseco.
Merda poderia designar
amor.
Amor poderia designar
merda. Poderá argumentar-se que não está em causa a forma da palavra, mas sim o conteúdo, o seu significado. Bem, mas se tratamos de significados, esta, em concreto, até expressa o mesmo desagrado que outras expressões mais coloquiais. Então, por que não equipará-las? Por quê esta
merda, pá? Por que é sinto um aperto na barriga e penso duas vezes antes de dizer
caralho? Por que é que te sentes chocado? Por que é que não estavas à espera de ler isto? Somos ensinados desde pequenos a fechar a boca ou então dizer
pirilau.
Pixota já é mais pesado, mais ou menos meio caminho andado entre
pila e
mangalho. O adolescente mais rebelde anseia pela oportunidade de se referir ao pénis como
picha sem a mãe saber. Por um lado, há a atracção pelo fruto proibido, pelo outro, há a recriminação social por se produzir uns sons com o aparelho vocal que só alguns humanos compreendem e associam ao mal. E por que é que as classes sociais mais baixas fazem maior uso de asneiras? Será por isso que o outro extremo se coíbe de dizer
cona? Aproximá-los-ía mais dos pobres e desfavorecidos? Depois temos o caso de sucesso do
blog O Meu Pipi. O eufemismo do título esconde a riqueza do conteúdo tão apreciado e procurado. Talvez o seja pelo humor, ou pelo desejo de ler muitas asneiras seguidas sem ter que as proferir, como que para libertar a necessidade reprimida de jorrar do âmago muitas badalhoquices juntas. Ou seja, as asneiras são convenções sociais. Um espírito aberto e esclarecido não deveria ter qualquer problema em ouvi-las ou proferi-las. Não que sejam necessárias. Ou talvez o sejam. Talvez necessitemos de produzir um arsenal também no vocabulário. Para nos atacarmos. Ou para nos rirmos.
Puta que pariu toda a
merda que não compreendo.
Notas finais:
1. Just in case you wondered, até nem sou muito asneirento. Antes pelo contrário.
2. Vamos lá ver quem são os pudorentos por aqui ;)